O senador Jayme Campos (DEM) criticou o ministro de Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas por priorizar a ferrovia Ferrogrão em detrimento da Ferronorte em Mato Grosso. Para ele, o ministro precisa ser mais humilde e respeitar os anseios de Mato Grosso.
A manifestação foi feita durante sessão no Senado na terça-feira (15) que colocou em pauta o novo marco para o Transporte Ferroviário no Brasil. A apreciação do projeto de lei acabou sendo adiada a pedido do próprio Jayme.
Para o senador, o projeto do Governo Federal quer colocar em um pacote único a regulamentação de ferrovias – que em Mato Grosso contempla a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), a Ferrogrão e a Ferronorte – que estão em estágios diferentes.
O senador explicou que a Ferronorte – que é concessão da empresa Rumo Logística – não deve ser tratada como os outros dois projetos, uma vez que ela já existe e precisa apenas ser extendida para a região Norte de Mato Grosso, passando por Cuiabá. Enquanto as outras duas são projetos ainda no papel.
“Quando se fala de interesse de governo, não é verdade. Tendo em vista que nós temos aqui [em Mato Grosso] o prosseguimento da Ferronorte, que demanda Rondonópolis, passando por Cuiabá e indo até Lucas do Rio Verde. E o governo não tem manifestado nenhuma boa vontade [em viabilizar a obra] até agora. [O Governo Federal] Quer priorizar a Ferrogrão, que liga Sinop a Miritituba (PA)”, disse em plenário.
“Como o governo estabelece como prioridade essa questão da ferrovia? Eu acho que o ministro Tarcísio, com todo respeito [...], tem que ter mais humildade e mais respeito com aqueles que fato produzem, como é o caso de Mato Grosso. Até agora o Ministério não teve nenhuma boa vontade”.
De acordo com Jayme, a Ferronorte já está em execução há anos, com concessão garantida, mas sua ampliação não sai do papel por má vontade do Governo Federal. Ele chegou a levantar suspeita sobre interesses escusos por trás da decisão.
“Apenas um prosseguimento de uma ferrovia - que já foi construída há anos, que já está privatizada e que o Governo Federal não vai aportar um centavo - e até agora só botou ‘gosto ruim’, só colocou ‘pau na estrada’".
"Dá a entender que algo está por de trás disso tudo, tendo em vista que ele [o ministro] comentou que só vai liberar a Ferrogrão quando conseguir recurso de fundos árabes e ingleses. Eu não posso admitir”, finalizou o senador.
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