Política

05/05/2015 17:27

MPF e Polícia Federal investigam Rovílio Mascarello por lavagem de dinheiro

TRANSAÇÕES FINANCEIRAS

Empresário fez operações bancárias suspeitas em 2012 por meio da RM Imóveis em valores que ultrapassam R$ 18 milhões

Da Redação

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal do Piauí, investigam o empresário paranaense Rovílio Mascarello, fundador do Grupo Mascarello, por suspeita de lavagem de dinheiro. O inquérito policial nº 0130/2013 foi originado por uma operação bancária realizada em no dia 14 de setembro de 2012, em que Joacir Alves, um conhecido corretor de terras no sul do estado, também suspeito de grilagem, fez um saque em uma agência do Banco do Brasil em Teresina, na boca do caixa, no valor de R$ 8.316.000,00.

Segundo apurou as primeiras investigações do MPF e da PF piauiense, o dinheiro havia sido depositado no dia 10 de setembro de 2012 pela empresa RM Imóveis Ltda, de propriedade de Rovílio Marcarello e de sua filha, Kelly Mascarello Muffato. A RM Imóveis tem sede em Cascavel/PR, mas possui negócios e propriedades, especialmente grandes extensões de terras rurais, em estados como Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Pará, Maranhão e Piauí. A empresa imobiliária dos Mascarello, assim como a pessoa física de Rovílio, figura como réu em vários processos por suspeita de grilagem de terras em vários estados do país.

A suspeita do MPF e da PF é de que o dinheiro enviado pela RM Imóveis e sacado em espécie por Joacir Alves em Teresina seja oriundo de fundos ilícitos ou destinados à alguma ação ilícita por parte de Rovílio Mascarello, conforme aponta o procurador Marco Aurélio Adão, que investiga o caso, em um despacho ao qual a reportagem do jornal Centro-Oeste Popular e do portal Brasil Notícia teve acesso. “O saque em espécie de R$ 8.316.000,00, na cidade de Teresina/PI, no dia 14 de setembro de 2012 constitui fato que, em tese, pode estar relacionado com vários ilícitos criminais. Não é usual ou plausível, em operações comerciais ou não, o saque em espécie de tão expressiva quantia, sobretudo com as facilidades atuais do sistema financeiro. O fato, assim, denota possível tentativa de ocultar ou dissimular a movimentação de recursos financeiros. Além disso, o dinheiro sacado de maneira inusitada pode decorrer de produto de crime, ou ser destinado à prática de crime - o que explicaria a opção pela operação atípica”, grafa o insigne representante do Parquet federal.

O próprio representante do MPF destaca que, pelos antecedentes de Rovílio Mascarello, suas operações bancárias, bem como das empresas de seu grupo empresarial, ensejam aprofundada investigação . Só em 2012, a RM Imóveis teria movimentado de forma atípica, mais de R$ 18 milhões.

“Essas eoutras operações financeiras suspeitas, registradas ao longo de vários anos, dizem respeito a depósitos e a saques em espécie de valores expressivos, a negociações referentes a aquisição e resgate de operações de seguro e de previdência privada, bem como a compra e venda de imóveis. A maior parte foi efetuada em municípios do interior do Paraná e de São Paulo”, assinala o procurador  Marco Aurélio Adão no mesmo despacho.

O inquérito instaurado pelo MPF e pela PF do Piauí corre ainda em sigilo e não foi concluído. No entanto, pelo despacho do procurador, é possível vislumbrar a gravidade das suspeitas que pesam sobre as operações financeiras de Rovílio Mascarello por meio da RM Imóveis, de outras empresas e de pessoas físicas ligadas à ele, não apenas naquele estado do nordeste brasileiro, mas também em São Paulo e no Paraná. As pessoas físicas e jurídicas vinculadas a empresa RM lmóveis Ltda., bem como ela mesma, foram objeto de várias outras comunicações junto ao COAF de operações financeiras atípicas que chamaram a atenção do MPF e da Polícia Federal.

“No momento inicial das apurações, e indicada em razão do montante envolvido, permitindo-se divisar ofensa a ordem tributária federal e/ou ao sistema financeiro nacional no eventual delito antecedente. Maiores considerações sobre esse tema exigem o início das apurações, com a coleta de dados mais específicos, quando a questão deverá ser melhor analisada”, argumenta o procurador na determinação de abertura do inquérito policial.

Vínculos comprometedores

 As movimentações financeiras atípicas de Rovílio Mascarello, conforme suspeita o MPF e a PF do Piauí podem estar ligadas tanto a um esquema de lavagem de dinheiro quanto à cobertura de negócios visando o controle ilegal de grandes áreas de terras na região de cerrado naquele estado.

O vínculo de Rovílio Mascarello com a grilagem de terras no Piauí são os negócios realizados por ele com Euclides de Carli, empresário que é seu sócio na Comil, empresa da área agrícola e agroindustrial do Grupo Mascarello. Com domicilio em São José do Rio Preto (SP), De Carli movimentou mais de R$15 milhões em operações bancárias em dinheiro vivo.

Junto com a filha e o filho, De Carli tem fazendas na região sul do Piauí e mantém disputas renhidas com posseiros e pequenos proprietários por causa de terras. Já Joacir Alves, que sacou os mais de R$ 8,3 milhões em dinheiro vivo remetidos pela RM Imóveis, é conhecido por intermediar negócios e “rolos” envolvendo terras no nordeste, em especial no Piauí e no sul do Maranhão. 

Voltaremos ao assunto nas próximas edições.


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