Policia

14/09/2018 14:40 Gazeta Digital

Comerciante diz ter sofrido agressão da Força Tática

Comerciante da região do bairro Mapim, em Várzea Grande, identificado como M.F.C., acusou o cabo da Polícia Militar Eros Rogério Barros Araújo de tê-lo espancado em agosto deste ano. De acordo com ele, o policial também vem o perseguindo e já o intimidou em outras duas ocasiões. Relato afirma agressão praticada por 10 PMs.

Conforme narrado, o primeiro contato de M.F.C. com o cabo Eros foi em no dia 4 de junho deste ano, quando ele foi até a sua distribuidora acompanhado de outros três policias para intimidá-lo.

O motivo, de acordo com a denúncia, seria que o carro do comerciante estava estacionado, na rua, de forma irregular.

"Dois policiais chegaram entrando, olhando, perguntando pelo proprietário do carro. Ele pediu para ver o documento de habilitação e eu entreguei para ele. Ele disse 'Eu vim aqui botar o pau para quebrar, o bicho vai pegar mesmo aqui'. Eu encostei com a mão para trás e ele continuava gritando 'Você é vagabundo, rapaz. Você é vagabundo mesmo'. Eles reviraram o meu carro, me mandaram deitar no chão, colocaram a arma na minha cara e me humilharam", disse.

M.F.C. explicou que, então, eles saíram dirigindo seu carro, sem ter apresentado nenhuma notificação ou autuação. Junto ao seu advogado eles fizeram um boletim de ocorrência, mas demoraram um dia pra encontrar o veículo. Depois de uma semana, o cabo Eros teria passado em frente a sua rua afirmando: "Isso não vai ficar assim".

Em outra ocasião, o policial apareceu a paisana em uma rua escura, logo depois do comerciante comprar um açaí. Quando M.F.C. entrou na rua, o cabo teria gritado "põe o cinto aí, vagabundo". Com medo, o comerciante decidiu ir até a corregedoria da Polícia Militar formalizar uma denúncia.

"Chegou uma notificação para ele e ele ficou mais bravo. Ele sempre anda pela região onde eu trabalho e eu estava tirando fotos de um terreno que comprei e ele acabou aparecendo na foto. Ele se estressou e veio para cima de mim. Me deu um empurrão no peito com as duas mãos e me deu um soco na boca. Começou a me dar chute no meio da rua, na porta da minha distribuidora. Ele sacou a pistola para atirar em mim, mas a população veio para me acudir."

De acordo com seu relato, ele chegou a ligar para o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), mas uma viatura da Força Tática do Cristo Rei, a pedido do cabo Eros, tomou frente da ocorrência. Cerca de 10 policias teriam chegado para intimidar o comerciante.

"Me levaram lá para trás no fundo de um armário e começaram a me espancar, me agrediram. Era um monte de policias, não deu nem para contar. Foi só chegando viatura. Bateram de soco, de chute, minha camisa ficou toda rasgada. Me algemaram bem apertado e até hoje eu não consigo mexer a minha mão. Eles pediam pela foto que eu tirei do cabo Eros. "Se você não me entregar eu vou matar você aqui dentro de tanto te bater.'"

Ainda, conforme a denúncia, os policias fizeram que M.F.C. apagasse todos os registros do seu celular, bem como das câmeras de segurança do estabelecimento, que ficam registradas no computador. Foi preciso, inclusive, chamar um técnico de informática, identificado como Hudson, para ensinar os policias por telefone como apagar os vídeos.

"Aí mandaram me algemar de novo. Pegaram um monte de cigarro que estavam com eles dentro da viatura e disse que iam me incriminar por contrabando. Todo mundo me viu saindo na rua algemado, me jogaram feito porco dentro do carro. Na delegacia me registraram por desacato a autoridade e ameaça contra o patrimônio público."

M.F.C. não abre sua distribuidora há semanas por medo de represálias. O cabo Eros também é alvo de outras denúncias noticiadas pelo Gazeta Digital. Em 2016, um atendente do Ciosp denunciou o policial por tê-lo dado um tapa violento na cabeça, que fez com que ele perdesse a audição do ouvido direito. Em agosto deste ano, o cabo Eros recebeu o "Diploma de Policial Militar Destaque de 2018", em sessão solene realizada pelo Comando da 15ª Companhia Independente de Polícia Militar.

 

A Corregedoria da PM informou que até o final do expediente de segunda-feira (10) não recebeu nenhuma denuncia relacionada a pessoa citada pela reportagem. "Porém, adianta que está a disposição para recebê-lo , ouvi-lo e adotar as medidas necessárias para instaurar procedimento investigatório."


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