Mundo

18/04/2018 15:06

Seis nomes disputam a Presidência

O próximo presidente deverá sair de uma lista de seis nomes: o candidato petista, o tucano Geraldo Alckmin, o deputado Jair Bolsonaro, os ex-ministros Marina Silva e Ciro Gomes e, maior novidade, o ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa.

O vencedor terá de conquistar os eleitores de voto indefinido, majoritariamente nos estratos sociais mais baixos. O voto de caráter popular, conquistado pelo PT nas últimas três eleições, será o principal alvo dos candidatos que disputam o espólio lulista.

Entre os que têm apenas ensino fundamental, 71% não sabem em quem vão votar ou afirmam votar nulo ou branco, diz a última pesquisa Datafolha. Entre aqueles com renda até dois salários mínimos, a proporção é de 70% –ela cai para 46% entre os que ganham mais de dez.

Natural que o “povão” ainda não tenha escolhido candidato, embora o grau de indefinição deste ano seja inédito. Está aí, portanto, a chave da campanha eleitoral e o caminho para a rampa do Palácio do Planalto. Quem tem o melhor discurso para seduzir essa parcela, que garantiu vitória ao PT entre 2006 e 2014?

De acordo com os pesquisadores do Datafolha, a principal beneficiada pela ausência na cédula do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria hoje Marina. Embora tenha sido citada por apenas 1% dos entrevistados na pesquisa espontânea (ante 13% de Lula e 11% de Bolsonaro), ela aparece em 26% das menções na estimulada. Em seguida vêm Bolsonaro (22%), Joaquim (17%), Ciro (16%) e Alckmin (14%).

A seis meses do pleito, é razoável supor que a disputa está entre esses cinco e o candidato do PT, cuja força eleitoral levou o partido à rodada final de todas as eleições em que houve segundo turno desde a redemocratização. Seis nomes em busca dos eleitores mais pobres, órfãos de Lula.

Sem ele, a situação do PT fica difícil. O partido insiste na estratégia de lançá-lo, ainda que preso e impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. Segundo o Datafolha, 30% votariam hoje em quem quer que fosse o indicado por Lula – mas 52% não votariam.

 

Para ter chance no segundo turno, o candidato petista precisaria seduzir mais que os mais pobres. Teria de afastar-se da imagem de corrupção e incúria econômica atrelada ao partido, para trazer de volta parcelas da classe média identificadas com o ideário esquerdista, hoje atraídas por Ciro ou Marina.

A polarização contra as “elites” e o discurso do “nós contra eles” que sempre deram certo é uma armadilha para o PT neste ano, quando “eles” somam 52%. Se adotar a perseguição a Lula como mote da campanha, o PT estará a caminho do suicídio eleitoral.

Para Bolsonaro, a dificuldade é semelhante. Sua bandeira de campanha é o combate ao crime, à corrupção e à esquerda. No outro extremo da polarização, seu discurso tem franca aceitação nos estratos mais altos. Bolsonaro é citado espontaneamente por 26% dos que ganham mais de dez salários mínimos (ante média de 11%).

Mas corrupção nunca foi um tema sedutor para os pobres. Para atraí-los, o discurso duro no combate ao crime precisa ser atrelado a benefícios econômicos tangíveis. Bolsonaro adotou um programa liberal, distante das demandas concretas dessa faixa da população. Não terá muito tempo de televisão e baseia sua campanha na internet, tecnologia a que nem todos têm acesso. Doravante terá mais dificuldade para crescer.

Para Alckmin, a dificuldade é de outra natureza. Vai bem em sua base eleitoral, o Sudeste, mas patina no resto do país. Em São Paulo, as obras, novas estações de metrô e índices favoráveis de criminalidade lhe garantem alta penetração. No Nordeste, é um virtual desconhecido, mesmo tendo chegado ao segundo turno em 2006.

Em Minas Gerais, estado que se tornou um microcosmo do Brasil (nenhum presidente foi eleito sem vencer em Minas), seu partido está enrolado em escândalos de corrupção: Aécio Neves se tornou réu e Eduardo Azeredo será provavelmente preso. Sem Nordeste nem Minas, Alckmin não se elege. Ele precisa de uma aliança com DEM e MDB para ampliar seu tempo de TV e tentar conquistar os eleitores de voto indefinido. Mesmo assim, seu discurso não empolga.

 

Marina e Ciro ganham fôlego na ausência de Lula. Não se sabe se resistem ao lançamento de um novo candidato petista com mais apelo à classe média que Lula. Sem alianças amplas, nenhum dos dois dispõe do tempo de TV necessário para conquistar os mais pobres. Não é uma situação confortável.

Joaquim padece de problema semelhante. Mas leva duas vantagens. Sua atuação no mensalão o tornou conhecido do “povão”. Não tem um perfil tão inflamado quanto Ciro nem tão volátil quanto Marina. Ocupará, nesta eleição, o papel de novidade que foi dela nas duas últimas. Se adotar uma plataforma econômica tangível e for hábil nas alianças – grande incógnita –, suas chances crescem. Dependendo das circustâncias, qualquer um dos seis pode vencer. Mas, hoje, os ventos sopram a favor de Joaquim.


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